INTRODUÇÃO


"Não fiques atônito devido às novas idéias; pois sabes bem que uma coisa não deixa de ser verdade simplesmente por não ser aceita pela maioria."


-Baruch Espinosa



Olá! Seja bem-vindo ao blog Filodesafiando, composto por contribuições da turma de Filosofia da Universidade Católica de Pelotas-RS do ano de 2012. Por sugestão da nossa coordenadora do curso, Ângela Caruso, estamos lançando nossas pesquisas e observações filosóficas neste espaço. Nossa turma é longe de ser homogênea em pensamento, com cada indivíduo tendo distintas experiências de vida bem como diferentes compreensões das tão diversas áreas da Filosofia. Vemos este ambiente heterogêneo com grande entusiasmo, pois da discussão sadia de idéias regida pelos espíritos da amizade e aprendizado obtemos novos conhecimentos e aprimoramos nossas contextualizações do mundo, sejam eles sobre uma visão do período clássico ou uma discussão das questões da modernidade. Por isso escolhemos o nome "Filodesafiando".


Filo vem do grego Philia, um termo amplo que pode significar entre outras coisas amizade. A palavra desafio vem do latim, Desfidare, que significa afastar-se da fé. Aqui não usamos a fé no sentido teológico, mas sim no sentido da opinião sem critério, como os preconceitos e informações dadas como verdade ou mentira sem antes serem pesquisadas e analisadas. Ou seja, é o objetivo de nos afastarmos de conjecturas muitas vezes nocivas para a sociedade através do questionamento filosófico. Além disso, temos o significado atual de desafio, oriundo da idade média, que é provocar, testar idéias ou ações. A Filosofia nestes dois aspectos é um eterno desafio, o desafio de uma reflexão crítica quanto a nós mesmos e ao mundo que nos cerca. Então Filodesafiando nada mais é do que enfrentar esses desafios e argumentos apoiando-se nos preceitos da amizade e da livre troca de idéias que surge dela.


E a você, que está lendo esta introdução, sinta-se filodesafiado. Esperamos que nosso blog lhe seja útil em sua caminhada. O filodesafiamos para que seja conosco, através da filosofia, um filodesafiador!



-Apius Gilbert Escobar

sexta-feira, 27 de abril de 2012

The Way - O Caminho



PARTE 1



Proponho com esse artigo fazer algumas considerações sobre o filme The Way no qual assistimos no dia 17 - 04 – 12 na sala de aula da UCPel, na disciplina; Estudo, Pesquisa e Redação de Textos e Filosofia,  ministrada pela professora  Ângela Caruso  coordenadora do curso de filosofia.
Para que o leitor entenda a dimensão e o alcance que o filme atinge e para todos os efeitos, contextualizar o filme para o leitor ai tirar o melhor para si, apresento em linhas gerais, e do meu ponto de vista, considerando a razão e o sentimento como pilares da reflexão, algumas considerações que expressam de certo modo o que o filme mobilizou em mim. Com esse enfoque proponho um breve comentário expondo a sinopse e em linhas gerais tecer algumas considerações. Mas, sobretudo, para augurar aos leitores as mesmas emoções que senti ao assistir, de um só fôlego, esse memorável e inesquecível filme, marcado pelo estilo inconfundível e convincente do autor, ator, diretor, pai e filho.
E mais particularmente ainda, este filme mobilizou tanta coisa em mim, que posso lhes dizer sem medo de estar exagerando, que em mim, mobilizou minha vontade de renovação e conversão, sobretudo, com um compromisso de serviço fiel e generoso à igreja.  Foi pra mim, para todos os efeitos, uma renovação do gosto de viver e de sentido para a vida.
O filme em questão foi escrito e dirigido magnificamente por Emilo Estevez e estrelado pelo seu pai Martin Sheen como papel principal. Pai e filho na vida real, atuando e contracenando concomitantemente o que dá ao filme todo um aspecto emotivo e familiar. Penso que isso por si só, já é o suficiente para convida-nos a uma grande jornada.
Parto da premissa, que o filme é sem sombra de dúvida, uma história poderosa e uma inspiradora jornada espiritual para nossas vidas. Ou seja, emergem e se evidenciam algumas mensagens que revivem com impetuosa atualidade nos dias de hoje. E, portanto, um filme, jovial porque nele as novas gerações podem encontrar uma resposta às suas profundas inquietações, às generosas aspirações, às exigências de autenticidade e coerência cristã.
Há sempre uma oportunidade de aprender algo novo e a toda hora. E o filme mostra bem isso. Não esqueça, que cada vez que você aprende alguma coisa você passa a ser “uma coisa” nova... Você começa a caminhar se projetando para desenvolver-se num humano afetuoso. Isso é assombroso e magnifico ao mesmo tempo. Isto é singularidade. E garanto que o filme nos impulsiona a desenvolver nossa singularidade.
No que se refere ao caminho de São Thiago de Compostela, muitos buscam fazer este caminho a pé, a cavalo, outros buscam o comprimento de penitências, outros ainda, fazem para alcançar milagres, pagar promessas, e tem até quem diga aqueles que buscam uma aventura diferente na vida. São 800 km que atravessam as montanhas dos Pirinéus ao longo da fronteira franco-espanhola, a partir de St. Peid de Port. Porém muitos são as rotas para se chegar a São Thiago de Compostela. Em geral, um peregrino, pode completar o seu percurso, em mais ou menos oito semanas, caminhando entre 12 km até 15 km por dia. Na organização desta grande jornada a maioria dos peregrinos leva um documento que é a sua credencial, também chamada de passaporte do peregrino, que lhes dá acesso a descontos nas pousadas, alojamentos, albergues, assim caminhando até chegar à próxima pousada do peregrino. E ao concluir sua caminhada, é convidado para assistir a missa do peregrino, aonde acontecem todos os dias ao meio dia na catedral de São Thiago de Compostela. E de acordo com a tradição da igreja Católica, é aonde encontra os restos mortais do Apóstolo São Tiago. Assim, apresentando um passaporte devidamente carimbado em todas as paradas do trajeto chegando ao final o peregrino ganha um certificado de conclusão da caminha, escrita em latim, datada da idade média, aonde tudo começou... É uma tradição que se segue a mais de 1000 anos.




Voltando a raciocínio inicial, i,é. a história do filme, Thomas Avery, medico oftalmologista (Martin Sheen), tem um relacionamento um pouco perturbado de certo modo, com seu filho Daniel Avery ( Emilio Estevez). Mas tudo muda na vida de Tom, quando ele recebe um telefonema do capitão Henri (Tchéky  Karyo), para ir buscar seu filho, na Espanha, que morreu no primeiro dia da caminhada de São Thiago Compostela, pego de surpresa por uma tempestade. Entretanto, igualmente Tom também foi pego de surpresa, com ar de preocupação fugaz como se uma nuvem tivesse cruzado seu rosto, invocado a tristeza e a plenitude da perda, polos inseparáveis da vida humana. Aqui vale ressaltar que a morte pode ser motivo de aprendizagem humana. Outro sim, me faz lembrar do filosofo Cícero, quando argumenta que filosofar é outra coisa senão se preparar para a morte. Igualmente para Sócrates, cuja sua única ocupação consistiria em preparar-se para morrer. Entretanto, para nossa cultura ocidental, a morte é um enigma que nos assombra desde sempre. Ou seja, a morte quando mostra sua sombra ou nos vista com sua presença o mundo fica plano, estranho e desconhecido...
De volta ao filme, Tom para honrar o desejo do seu filho, resolve fazer a caminhada pelo filho, colocando as cinzas em cada ponto de parada ou passagem. Este profundo impacto de mudança na vida de Tom se dá igualmente na vida de outros peregrinos que ele encontra pelo caminho. Um holandês, no papel de Joost (Yorick Van Wageningem), uma canadense, no papel de Sarah ( Debora Kara Unger) e um escritor irlandês, Jack (James Nesbitt), esse último sofrendo de um certo bloqueio de escritor.
Aqui cabe outra observação; parto da premissa, que verdadeiramente começa toda lógica do filme. Cada um com suas histórias, objetivos e sentidos da caminhada. E uma coisa posso lhe garantir, querido leitor, que eles nunca mais vão ser os mesmos depois de completar o CAMINHO.
Assim como eles, estamos à procura de algo para as nossas vidas, algo que nos dê sentido, que valha a pena morrer e gastar a vida. De fé, talvez respostas, beleza para outros, estamos todos numa grande viagem chamada vida como peregrinos nesta jornada.
Como Tom descobriu a diferença entre a; “vida que vivemos e a vida que queremos” sustento aqui a hipótese, que se alguém ainda não descobriu o sentido de sua vida, qual o seu propósito, e se ainda não fez essas perguntas, ao assistir este filme certamente poderá começar a levantar estas questões dentro de si.
Penso se tivermos essa atitude, estaremos nos tornando mais humanos. Para isso precisamos estender nossas mãos e nos arriscar. Contudo, arriscar é se expor ao fracasso, mas os riscos tem que ser corridos. Pois o maior perigo em nossas vidas é não arriscar nada. E aquele que não arrisca nada, que não tem nada, não é nada em sua vida, não faz nada. Podemos até evitarmos o sofrimento e a dor nos acorrentando por nossas certezas e vícios, ou nos protegendo, metaforicamente “dentro de uma bolha de proteção”, com nossas ideias autodestruidoras, sacrificando nosso maior predicado que é nossa liberdade. Na perspectiva psicanalítica, podemos dizer, que só a pessoa que arisca é livre.
Agrada-me muito o livro Souls on Fire (Armas de Fogo), de Wwils, um admirável escritor Judeu, no qual ele descreve um maravilhoso pensamento: “quando você morrer e for ter com o seu criador, não vão lhe perguntar por que não se tornou um messias ou descobriu a cura do câncer, mas só vão lhe perguntar por que você não se tornou você? Por que não se tornou tudo que é?”. Para mim isso é assombroso, aterrorizante, magnifico, assustador, libertador. Ou seja, muitos de nós, estamos vivendo uma vida sem implicar-se e sem se envolver com nada. Em última análise, estamos perdendo nossa capacidade de se envolver profundamente com alguma coisa. Temos medo da vida, medo de ser o que somos. Assim, não vivemos plenamente e impedimos que os outros vivam a sua plenitude. Trata-se, com efeito, de nos tornarmos NÓS... De chegarmos a sermos nós.
Neste aspecto, precisamos aprender a ariscar de novo, isto é, o risco é a chave para a mudança e arriscar-se é mostrar a nossa humanidade.




No filme The Way, para os personagens peregrinos, sua jornada é profundamente espiritual como é para cada um de nós na vida real. Esse filme atinge sua marca nos deixando várias mensagens, sendo de que todos independente de sua classe social ou de onde se encontra, estamos todos percorrendo um caminho, nossa grande jornada que é nossa vida. E que no fundo é uma grande questão filosófica, de descobrir a si mesmo.
Por fim, mas não menos importante, como o personagem Tom (Martin Shenn) descobre a diferença entre a vida que vivemos e a vida que nós escolhemos, somos obrigados pela nossa consciência em nos perguntar: Você já se tornou tudo que é? Você se tornou você? De algum modo, em algum momento de sua vida, tenho a esperança se por acaso, você ainda não alcançou as suas respostas, o melhor momento pode ser é agora. E que tal, descobrirmos nossa humanidade, percorrendo esse caminho juntos? Portanto, faça você nascer e renascer quantas vezes forem necessárias, para não privar a beleza da vida. Se tiver, aprenda a perdoar, a acreditar que sou mais igual do que diferente de você.  Estou muito ativamente empenhado com a vida, e quero tudo que a vida é. Vamos fazer um trato? Chega de andar por ai fingindo que sabemos de tudo, que somos todos tão seguros, que não precisamos, quando seria muito mais fácil para todos nós podermos dizer em alta voz: sou vulnerável, erro, sou imperfeito, tenho medo, mas quer saber, sou humano e esse é meu maior predicado é isso é verdadeiramente e realmente desejo ser. Isso não é assombroso? Somos mais iguais do que diferentes. Mas temos mais capacidade de cuidarmos melhor um do outro. Para tal, precisamos aprender a confiar de novo, aprender a acreditar... EXPERIMENTE!!! Pois você nunca saberá até acreditar. Não esqueça que mostrar seus sentimentos é expor sua humanidade e estender sua mão aos outros é arriscar-se a se envolver, mas que outra coisa na vida é mais importante do que se envolver? Como ousam morrer sem terem tornado tudo que são!
Há anos que filósofos e psicólogos vem dizendo que você é tudo que você tem. Portanto, torne-se a pessoa mais bela, terna e maravilhosa do mundo e poderá sobreviver para sempre. Lembra-se de Medéia, na tragédia grega?  Lembram-se da frase daquela bela peça, em que tudo se foi e o oráculo chega para ela e diz: Medéia, o que resta? Tudo esta destruído, tudo se foi. Ela diz: o que resta? Eu! Isso que é mulher. Resta tudo... Quando reconhecermos essa importância, o respeito, o amor por si próprio, e perceber que todas as coisas vêm de você então poderá se dar aos outros.
Escolha o modo de vida, de amar de se interessar pelos outros, de crer no amanhã, de confiar. Escolha o modo de crer na bondade. Cabe a você. A escolha é sua, pois a vida é uma opção. Saia e faça a vida acontecer. Faça a vida dar certo. Só depende de você.

Que tal experimentarmos juntos?
Estou esperando sua decisão, peregrino.
Miguel Quadros
Acadêmico de Filosofia

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A importância do interesse na política

"O maior castigo de quem se furta à obrigação de governar é vir a ser governado por alguém pior que ele."

-Sócrates, na República de Platão, Livro I



Sócrates, Patrono da Filosofia.

 

Política é uma palavra derivada do termo grego politiké. O significado de politiké é a arte de governar a Polis, que em sua essência significa cidade. De Polis temos outras palavras como polites, cidadão, e politikos, alguém que exerce sua cidadania ou político. Hoje Polis refere-se mais às cidades-estado Gregas da antiguidade e política aos Estados, os países modernos, e suas cidades.

Desde sua concepção, política e cidadania andam juntas. Para os gregos da antiguidade, a polis é a essência da sociedade: sem ela, não existe o povo grego. Ser um político nada mais é do que exercer sua cidadania, não necessariamente em posições do governo, mas participando e aprimorando a sociedade em que vive. Então aqui temos a política como algo positivo para os gregos. Aquele que se privava da vida pública ou política, que se esquivava de exercer sua cidadania, era conhecido como Idiotes, ou idiota. Aqui a palavra tem o significado de pessoa egoísta, vulgar, que só se preocupa consigo mesma.

Na modernidade, ouvimos muito a idéia de que a política é complicada, algo de "outro mundo", que é chata e que é desnecessário entendê-la. Prevalece então o pensamento de que mais vale ser um idiota do que um cidadão.

Mas é difícil encontrar uma pessoa inteiramente idiota, mesmo que tenha convicção ao afirmar que não gosta ou não entende de política. Como vimos, a política é natural do ser humano no momento em que ele vive em sociedade. Ser um político também é fazer serviço comunitário, é encontrar abrigo para animais abandonados, é respeitar e cuidar de nossa família e amigos, é divulgar uma notícia interessante nas redes sociais, é conversar sobre assuntos polêmicos e muitas outras coisas. Isso é cidadania. É procurar aprimorar o nosso país, é fazer o bem para os indivíduos da nossa sociedade.

Se temos tantos indivíduos capazes de fazer o bem, qual a razão do pouco interesse na política quando ela passa para sua extensão natural de assuntos do Estado?

Sócrates diz na República que a razão das pessoas de bem não decidirem participar da política é o sentimento vergonhoso que acompanha o amor às honrarias e dinheiro que um cargo político oferece. As pessoas de bem não desejam ser conhecidas como mercenárias, que estão na política apenas pelo dinheiro ou como corruptas, que agem para obterem benefícios secretamente com desvios de verbas; ou não participam da política com o receio de que se tornem vítimas de joguetes de poder (como o próprio Sócrates foi, duas vezes em duas formas de governo diferentes, como é citado em sua Apologia). Diz também que as honrarias não as atraem por razão de não serem ambiciosas - não manifestam a soberba ou o orgulho doentio, que costumam acompanhar pessoas ambiciosas.

Para que uma pessoa de bem venha a se interessar pela política do Estado, é necessário que tome consciência de que o pior castigo possível por esquivar-se desta responsabilidade é o de ser governado por alguém pior, que justamente procura o status de ser político, o salário elevado e que agirá em segredo corrompendo instituições e privilegiando quem bem entender, ao invés de considerar o verdadeiro propósito de seu cargo: Trabalhar pelo interesse comum, servir a sociedade no máximo de sua capacidade e nunca agir em benefício próprio.


Dom Pedro II, O Imperador Filósofo, é um dos maiores Estadistas de nossa história.


Em suma, essa é a importância do interesse na política. Temos que deixar a idiotisse de lado e exercer plenamente a nossa cidadania, pois os bons políticos não caem do céu nem os maus escalam do inferno (apesar de ser o aparente) para ocuparem cargos no governo. Eles vêm da nossa sociedade. Procurem conhecer um pouco melhor a política, saibam que votam em um partido e não simplesmente em uma pessoa e saibam diferenciar os partidos e as pessoas. Sejamos politicamente ativos no âmbito de querer o melhor para nossa sociedade, a favor da justiça, da ética e do bem comum. Somente assim removeremos a marca da corrupção que mancha nossa política.

Votem, e votem com consciência!


-Apius Gilbert Escobar

terça-feira, 17 de abril de 2012

PATRÍSTICA

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como objetivo principal o aprendizado e a pesquisa sobre o tema “Patrística”, em vista do aprendizado de tão importante período filosófico, teológico e histórico na Igreja Cristã e no mundo filosófico. No decorrer do trabalho, quero abordar de forma sintética e objetiva os principais períodos dessa primeira fase da filosofia cristã, bem como seus filósofos de maior importância. Não se trata de um trabalho acadêmico, pois não está de acordo com as normas exigidas pela ABNT, mas foi elaborado com pesquisas bibliográficas, e quer de uma forma simples expor o assunto.

Escolhi o tema Patrística, pois desde o início de minha formação à Vida Religiosa Consagrada esse tema me desperta grande curiosidade, dado que dele a Igreja recorre para fundamentar muitos assuntos da teologia atual. Lembro-me também que o primeiro livro que li na caminhada vocacional foi “Relatos de um Peregrino Russo”, onde o autor relata seu caminho espiritual a partir dos escritos dos Santos Padres no livro Filocalia.

Segue o trabalho com um breve relato desse importante período da filosofia Antiga.






 

Patrística



1           1.    Elaboração do Novo Testamento.

Jesus de Nazaré, aquele a quem nós cristãos chamamos de “Filho de Deus”, provocou uma reviravolta nos valores do mundo judeu. Pregando um novo Reino, no qual não está em primeiro lugar a lei, mas o amor, a adesão total aos princípios de sua mensagem, a qual é denominada Boa Notícia, e principalmente, na aceitação da própria pessoa de Jesus Cristo. Pra Jesus Cristo os princípios que as pessoas devem seguir vão muito além de valores éticos. Ao contrário, quem optava e opta por seguir Jesus Cristo opta pela sua pessoa, pelo próprio Cristo totalmente, não em partes. Não opta nem por filosofias, mas por uma pessoa, o Filho de Deus.

            Jesus, no entanto, nada escreveu durante os anos em que exerceu sua missão. Todos aqueles que o escutaram falar, seja em público ou nos diálogos pessoais sabiam suas palavras pelo que ouviram dele, mas não possuíam nenhum manual de sua doutrina. Isso era sinal de que a filosofia de Jesus não era para ser lida pelos sábios e literatos, mas estava nos olhos, nos ouvidos, na boca e no coração do povo simples. As palavras de Jesus não se baseavam em princípios ético-filosóficos, mas em princípios teológicos, das virtudes da fé, esperança e caridade. Não estavam fundamentados na razão humana, antes se fundamentavam no amor de Deus.

            Muito se escreveu sobre as palavras e ensinamentos de Jesus Cristo nos primeiros séculos que se seguiram à sua ressurreição. Tantos eram os escritos que surgiram, que foram necessárias duas importantes tarefas: a primeira de reunir todo o material produzido até então. A segunda, a de analisar e selecionar os textos, distinguindo os documentos fidedignos dos falsos, os autênticos dos inautênticos. Esse período se prolongou até o ano de 367, quando o trabalho acabou e fixou-se quais seriam os livros canônicos, e determinando os demais como apócrifos, por não estarem de acordo com a veracidade histórica e teológica da vida de Jesus. Quanto ao Antigo Testamento, ou seja, os livros do povo hebreu, utilizados pelo próprio Jesus Cristo, os cristãos tiveram de aceitá-los, pois o próprio Jesus afirmou que “não veio abolir as leis e os profetas, mas dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5,17).


2           2.     Primeiras tentativas de uma Filosofia Cristã.

            Com o Evangelho de João e as Cartas de Paulo inicia-se a elaboração doutrinal do conteúdo da Revelação, ou seja, da nova mensagem trazida por Jesus Cristo. Neles estão os primeiros germes da filosofia cristã, as primeiras tentativas de compreender a pregação de Cristo, explicando à sua luz os problemas intrínsecos à existência humana. No Evangelho de João, Jesus é a revelação do Logos (a razão) e o Verbo encarnado. O Verbo é a sabedoria plena, de onde provêm todas as demais. Na filosofia/teologia de João, Jesus é o Verbo feito ser humano, o mediador entre Deus e os seres humanos e o Salvador para os que nele crerem.
Nas cartas de Paulo, os cristãos, até então provindos exclusivamente da religião judaica, tomam consciência de sua missão universal. Ao ressurgir da morte, Jesus salva todo o gênero humano, e em sua redenção todos os seres humanos são redimidos. Isso causou uma grande reação dos cristãos “judaizantes”, o que foi debatido no concílio de Jerusalém, onde se decidiu que a todos os povos foi revelada a graça da salvação. Para Paulo, todos os cristãos são membros de um mesmo Corpo, a Igreja, do qual Cristo é a cabeça. Cada um dos membros tem a sua “vocação” e a harmonia do corpo acontece pelo amor (ágape), fundamento da vida cristã.



 Concílio de Jerusalém.


1          3.    Os Primeiros Padres da Igreja

Findado o período apostólico com a morte de João, o único dos apóstolos a morrer naturalmente, exilado na ilha de Patmos, inicia-se o período da patrística propriamente dito com o surgimento dos primeiros Padres. Esses primeiros padres da Igreja não formularam, no entanto, completos sistemas de filosofia cristã, pois se limitaram a parciais elaborações de problemas apologéticos e teológicos. Até Agostinho, a Patrística é ocasional e fragmentária, pois as questões tratadas surgem de acordo com as polêmicas da época.

3.1.            Patrística Grega

Dentro de uma civilização marcada e embebida pela filosofia grega, sob o encalço das perturbações, entre pagãos e gnósticos nasce a patrística grega. Ela tem como missão esclarecer e defender e defender com a ajuda das fórmulas dos pensamentos antigos, o conteúdo da nova fé. Em um terreno de discussão filosófica, o cristianismo acaba sendo um continuador da filosofia grega. Segundo a patrística grega a razão foi dada aos seres humanos por Deus e é idêntica nos povos de todos os tempos; nesse contexto a Revelação não é sua negação, mas seu remate. Para a patrística grega o importante foi interpretar o conteúdo religioso com os conceitos da filosofia grega e dar à filosofia grega uma significação cristã.

Os primeiros padres escrevem em defesa da nova religião, contra as acusações dos pagãos e as perseguições, por isso são chamados de Apologistas (Apologia= defesa). Dos padres apologistas gregos o mais importante é São Justino, que viveu no século II e morreu mártir em Roma. Pode ser considerado o fundador da patrística e é autor de duas apologias e de um diálogo com Trífon judeu, onde se propõe demonstrar que a pregação de Cristo completa o Velho Testamento. Justino considera a filosofia grega como preparadora do Cristianismo e transforma Platão em discípulo de Moisés. A patrística grega estava ligada à Igreja de Bizâncio e seus principais Padres foram: São Justino, Taciano, Atenágoras, Teófilo e Aristides.

3.2 Heresia Gnóstica

O gnosticismo foi a mais importante heresia do primeiro século. Seu grande erro foi reduzir todo o conteúdo da fé à razão e com isso elaborar doutrinas religiosas a partir da filosofia grega que questionavam a pessoa de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, sua encarnação e seu sacrifício na cruz. Para os gnósticos a salvação não podia vir do mundo material, somente do espiritual, portanto Cristo era um espírito somente, já que a matéria é a fonte do mal. Somente poderiam alcançar o verdadeiro conhecimento superior, os iniciados na gnose que era a própria revelação de Deus, pela qual se pode chegar ao Transcendente. A gnose, ou conhecimento divino é o caminho da salvação. Podemos considerar o gnosticismo como uma seita religiosa do último período da filosofia grega, na qual há elementos do sincretismo e do cristianismo. Diante de tal Heresia o trabalho dos Santos Padres foi elaborar doutrinas para firmar a ortodoxia, transpondo a doutrina grega e mantendo-se no espírito da nova doutrina cristã.



 São Justino.       

3.3.            Patrística Latina

No afã de contrapor o gnosticismo e suas heresias, os Santos Padres da Igreja de Roma, ou ocidental, polemizam contra a mistura de religião com a filosofia e reivindicam a originalidade da Revelação cristã, que se funda sobre a fé e não sobre a especulação.

O mais vigoroso e eloquente dos apologistas latinos é Tertuliano de Cartago nascido na segunda metade do século II e morto em Roma em 240. Polemista apaixonado (que acabou na heresia), escritor fecundíssimo de obras apologéticas, dogmáticas e ascéticas, em sua obra-prima – Apologéticum – considera a filosofia mãe de todas as heresias. Ela não tem nada de comum com a fé, a qual é essencialmente mistério que nenhuma dialética jamais poderá demonstrar. Os filósofos são “os patriarcas dos heréticos”, a verdade do cristianismo se funda sobre a tradição e sobre a voz do senso comum ou do homem simples e inculto. Para Tertuliano, quanto mais uma verdade religiosa é incompreensível para a razão, mais é crível,digna de fé. “Creio, pois é absurdo (incompreensível)” é a grande frase do Santo Padre. Com isso ele priva a fé de qualquer base racional. Essa excessiva anti-racionalidade se explica como reação ao racionalismo excessivo gnóstico. Nas doutrinas de Tertuliano vê-se também um excessivo materialismo, que também podemos considerar reação ao gnosticismo. Outros padres importantes da igreja de Roma: Arnóbio, Minúcio Félix e Lactâncio.

3.4.            A Escola de Alexandria: Clemente e Orígenes.

Os padres da Igreja do oriente formularam uma “gnose” cristã, uma espécie de filosofia que contrapunha à gnose dos heréticos. Eram muito diferentes dos padres latinos, que formulavam suas apologias muito mais polêmicas que as dos filósofos orientais. Ao contrário, os Padres do Oriente formularam uma teoria orgânica coerente e racional, embasada em fundamentos da filosofia clássica e que pudesse servir de fundamento ao Cristianismo. A escola de Alexandria (Didascáleon) assumiu esta importante tarefa com Clemente (séc. II e III) e Orígenes (séc. III) este considerado o maior dos pensadores cristãos antes de Agostinho.

Clemente: Liga-se aos apologistas gregos e defende a continuação histórica entre filosofia e a revelação cristã. Não há, a seu ver, dissídio entre a gnose e a fé, ou melhor, a gnose está contida in genere na fé na qual encontra a sua justificação. A gnose ou conhecimento é a tarefa do homem, mas pressupõe a ela a fé, uma não pode substituir a outra. A filosofia é o caminho necessário para juntar a fé à gnose. Em todo ser humano está uma “centelha do Logos divino”, suficiente para fazer descobrir uma parte da verdade que, inteira, somente é revelada por Cristo. A filosofia está subordinada à fé e não a fé à filosofia. Por isso Cristo é o verdadeiro Mestre.

Orígenes: Oferece o primeiro sistema de filosofia cristã e empreende a primeira exposição sistemática do dogma sob a influência da filosofia greco-judaica. É também contemporâneo de Plotino, aquele que formulou o último grande sistema de filosofia grega. Orígenes foi o primeiro grande exegeta dos textos bíblicos, onde faz prevalecer a significação espiritual sobre a corpórea. Convencido que a criação do mundo por parte de Deus apresente a dificuldade de admitir uma mudança na imutável vontade divina, ele considera o mundo coeterno a Deus: a criação é contínua e eterna. Como é eterno o Filho gerado pelo Pai, assim é eterno o mundo como criação de Deus. Dessa forma os conceitos “geração” do Filho e “criação” do Mundo são ligados estreitamente e o criacionismo cristão é aproximado ao emanatismo neoplatônico. Orígenes é cristão na vida até o martírio, grego na sua concepção do mundo e de Deus. A antropologia nele volta a ser um elemento da cosmologia. A sua posição, no que diz respeito ao problema de relação entre filosofia e fé, pode considerar-se a antítese de Tertuliano: a fé, aprofundada, se faz conhecimento que no seu grau mais alto, é superior ao Evangelho histórico.

1           4.    Santo Agostinho

O pensamento patrístico encontra sua sistematização e conclusão na grandiosa síntese filosófico-teológico-exegética de Santo Agostinho, o maior pensador da Igreja antiga, nascido no seio da África latina.

Agostinho se converte adulto ao cristianismo, e traz para o cristianismo uma rica experiência filosófico-religiosa. Familiarizou-se com o pensamento da antiguidade, especialmente com os neoplatônicos, neopitagóricos e estóicos, com os epicureus e acadêmicos especialmente através de Cícero; é Agostinho o canal que transmite uma parte do pensamento antigo ao medieval. Ele, porém, diferente de Orígenes, e de outros padres da Igreja grega, sabe transpor o antigo e inseri-lo originalmente na nova experiência cristã.

O sujeito humano é o ponto de partida do filosofar perene. Numa célebre passagem dos Solóquios, à Razão que lhe indaga: “Que desejais conhecer?” Agostinho responde: “Deus e a alma desejo conhecer”. – “Nada mais?” “Nada mais!”.

Para Agostinho, formular o problema do homem é formular ao mesmo tempo, o problema de Deus: o homem não é apreendido em suas profundidades ontológicas enquanto não for apreendido por Deus, cujo problema é intrínseco ao problema que ele é a si mesmo. Sem que Agostinho se esqueça do mundo, concentra toda a sua vontade e profunda especulação sobre o homem e sobre Deus, problemas distintos, mas não separáveis.

O próprio diálogo do ser humano consigo mesmo já é um diálogo com Deus, pois Agostinho está convencido que o ser humano não pode conhecer-se sem Deus.



 Santo Agostinho.       


CONCLUSÃO     

Ao concluir o presente trabalho quero expressar a admiração diante da coragem dos primeiros Santos Padres que ousaram explorar as profundidades da fé, ligando-as ao pensamento filosófico. Muitas vezes pensamos que com a vinda de Jesus Cristo o mundo Greco-romano foi cristianizado, ao estudar a Patrística, posso concluir que ao ingressar no mundo filosófico, ao cristianismo foram também incorporados inúmeros elementos da filosofia grega. Mais que uma revelação irracional, o cristianismo foi a Grande revelação, acessível sim à razão humana, mas incompreensível por ela nos seus mistérios profundos. Sobre a Verdade Revelada, a filosofia grega encontrou espaço de construção de novos pensamentos cristãos.

            Foi bom pesquisar e conhecer um pouco mais sobre os esforços dos valentes exegetas da Igreja primitiva. Saber como foi difícil para eles enfrentar as heresias sem deixar de ser fiel à Boa Nova trazida por Jesus Cristo. Temos muito a aprender com os ensinamentos dos Santos Padres, eles que viveram em um tempo em que a Igreja ainda não estava atrelada ao poder, e quando ser cristão ainda não era “da moda”. Hoje ser cristão, novamente está sendo um desafio. Viver a fé na Igreja, recusando o poder oferecido pela instituição, servindo antes de ser servido e tentando ser fiel à intuição original do Evangelho, sem perder o foco e os pilares fundamentais da tradição da Igreja, é se aventurar como os primeiros Padres, é ligar fé e vida, é ligar fé e luta por um mundo melhor.

          Todos esses apaixonados padres da Igreja antiga foram além daquilo que o cristianismo esperava deles, ousaram elaborar novas doutrinas coerentes e de acordo com o Evangelho mesmo que indo além do pensado até então. Mais do que nunca hoje é esse o papel da nova teologia. Caminhar em sintonia com os avanços sociais e tecnológicos, com a ciência, com a realidade global, dando respostas coerentes com os valores do Evangelho a exemplo daqueles que o fizeram há quase dois milênios.




 -Andrei Thomaz Oss-Emer,  OFM Cap



Bibliografia:

1. SCIACCA, Michele Federico, História da Filosofia Vol I, Antiguidade e Idade Média. São Paulo, Editora Mestre Jou, 1967.
2. REALE, Giovanni e ANTISERI, Dario, História da Filosofia Vol I. São Paulo, Paulinas, 1990.
3. CHAUÍ, Marilena, Convite à Filosofia. São Paulo, Editora Ática,  2000.

Observação de uma realidade e descrição filosófica da mesma.

Platão e Aristóteles conversando na Pólis.


 
             Ao passar por um cruzamento de vias, no centro da cidade de Pelotas, em uma gélida manhã de março, especificamente, numa terça feira, dia 27, por volta das 9:30h, algo me chamou a atenção. Em um local não muito requintado, mas de aparência distinta, nobres senhores se reuniam para discutir assuntos afins. Uns trajando terno e gravata, outros com trajes mais simples, mas não menos distintos, entravam e saíam, na impressão de que algo de diferente havia naquele local. Acompanhado de um amigo, nos sentamos à distância de aproximadamente quinze metros do local, de onde podíamos observar bem o que se passava, tecer comentários a respeito de tudo aquilo, e ainda falar de assuntos afins.

        Vimos também algumas mulheres por ali, poucas, uma delas, sentada ao lado do marido, dentro do local, olhava pela vidraça, com olhar apático, as poucas pessoas que passavam pela rua naquela fria manhã. Outras moças serviam os senhores que ali entravam, prestativas e ágeis, para não desapontarem a tão importantes cavalheiros. As outras duas ou três mulheres que rapidamente passaram por aquele local, permaneceram alheias aos assuntos que eram debatidos, a final, os assuntos que ali se discorrem não são prêmio merecido do gênero pensante da humanidade?

E era exatamente disso que se ocupavam os cavalheiros que lá se encontravam, tratar dos assuntos correntes, opinar sobre os jovens rebeldes, inimigos da ordem e da boa aparência e falar dos últimos acontecimentos da cidade e da região. É claro que isso não são assuntos para jovens, pois sua imaturidade e rebeldia poderia pôr em risco as conclusões predeterminadas dos assuntos, e isso se comprova no fato de que o único jovem que lá não estava a trabalho, ocupava-se com seu notebook ao tomar uma xícara de café. Quanto às mulheres, evidentemente aquele não era o seu lugar, dado que lá se falava sobre assuntos da “pólis”, e não havia espaço para se trocar receitas e experiências com o cuidado da casa e dos filhos. Tampouco a pobre classe dos trabalhadores encontrava espaço naquelas rodas, primeiro porque o que ali se comercializa não está ao alcance se seu baixo salário, e também não seria o lugar para ser frequentado por pessoas sem nome de influência.
 
Ao sairmos dali, e ao passarmos mais perto do local, me deparei com um convite para o sepultamento de um senhor influente na cidade, fixado na parede. Andando a passos lentos, vi senhores idosos conversando, aqueles homens de terno a falar de política, economia, futebol, ou quiçá quais outros assuntos tão importantes. Mas segui minha jornada, afinal, ali não sei se seria o melhor lugar para um jovem universitário exercer seu questionamento filosófico.

-Andrei Thomaz Oss-Emer, OFMCap

Onde passo ela me enxerga, aonde vou ela está


Henrique Almeida Amaral[1]





              Quando eu passo ela me enxerga, aonde vou ela está. Fui à farmácia e lá estava ela; fui à pracinha, domingo, brincar com meu filho e lá ela também estava; então, voltamos para casa, adivinhe, lá estava ela nos espreitando, escondidinha num cantinho escuro.
No dia seguinte, pela manhã, sai de casa para ir à aula e, lá estava ela; que grude, ela não larga do meu pé, como é chata – vou contar pra vocês, esses dias embarquei no ônibus e não a vi, mas fiquei com aquela sensação que ela estava por perto; eu sei vocês estão pensando: bah, esse cara é triparanóico... Não, meus caros amigos, não estou ficando paranóico, é verdade aonde eu vou lá esta ela; tudo bem, agora vocês estão pensando que é minha mulher quem me segue e me espreita em todos os lugares que vou - vocês estão vendo muita TV, não estou no filme “Instinto Selvagem” - ela é um pouco ciumenta, mas não é ela, vou contar porque, esses dias fui dar um beijo em minha esposa e, atrás dela, sim meus amigos e amigas de todas as querências, acreditem, lá estava ela – vocês erraram mais uma vez; tudo bem vou parar de rodeios: fui numa festa, fui ao shopping, fui ao centro, fui para outras cidades, fui, fui, fui... E lá estava ela, pois, ela é de certa forma onipresente. Ela não sabe quem sou não sabe pra onde vou, ela não tem sentimentos por mim, mas, está sempre por perto, como pode? Já que vocês devem estar cansados de tanto ouvir falar: ela, ela, ela... Vou contar quem ela é para acabar com esse suspense. Então, tcham, tcham, tcham, que rufem os tambores, lá vai, ela é a câmera de vigilância. Sorria, você está sendo filmado.


[1]Acadêmico do Curso de Filosofia/UCPel – 2012/1