Política é uma palavra derivada do termo grego politiké. O significado de politiké é a arte de governar a Polis, que em sua essência significa cidade. De Polis temos outras palavras como polites, cidadão, e politikos, alguém que exerce sua cidadania ou político. Hoje Polis refere-se mais às cidades-estado Gregas da antiguidade e política aos Estados, os países modernos, e suas cidades.
Desde sua concepção, política e cidadania andam juntas. Para os gregos da antiguidade, a polis é a essência da sociedade: sem ela, não existe o povo grego. Ser um político nada mais é do que exercer sua cidadania, não necessariamente em posições do governo, mas participando e aprimorando a sociedade em que vive. Então aqui temos a política como algo positivo para os gregos. Aquele que se privava da vida pública ou política, que se esquivava de exercer sua cidadania, era conhecido como Idiotes, ou idiota. Aqui a palavra tem o significado de pessoa egoísta, vulgar, que só se preocupa consigo mesma.
Na modernidade, ouvimos muito a idéia de que a política é complicada, algo de "outro mundo", que é chata e que é desnecessário entendê-la. Prevalece então o pensamento de que mais vale ser um idiota do que um cidadão.
Mas é difícil encontrar uma pessoa inteiramente idiota, mesmo que tenha convicção ao afirmar que não gosta ou não entende de política. Como vimos, a política é natural do ser humano no momento em que ele vive em sociedade. Ser um político também é fazer serviço comunitário, é encontrar abrigo para animais abandonados, é respeitar e cuidar de nossa família e amigos, é divulgar uma notícia interessante nas redes sociais, é conversar sobre assuntos polêmicos e muitas outras coisas. Isso é cidadania. É procurar aprimorar o nosso país, é fazer o bem para os indivíduos da nossa sociedade.
Se temos tantos indivíduos capazes de fazer o bem, qual a razão do pouco interesse na política quando ela passa para sua extensão natural de assuntos do Estado?
Sócrates diz na República que a razão das pessoas de bem não decidirem participar da política é o sentimento vergonhoso que acompanha o amor às honrarias e dinheiro que um cargo político oferece. As pessoas de bem não desejam ser conhecidas como mercenárias, que estão na política apenas pelo dinheiro ou como corruptas, que agem para obterem benefícios secretamente com desvios de verbas; ou não participam da política com o receio de que se tornem vítimas de joguetes de poder (como o próprio Sócrates foi, duas vezes em duas formas de governo diferentes, como é citado em sua Apologia). Diz também que as honrarias não as atraem por razão de não serem ambiciosas - não manifestam a soberba ou o orgulho doentio, que costumam acompanhar pessoas ambiciosas.
Para que uma pessoa de bem venha a se interessar pela política do Estado, é necessário que tome consciência de que o pior castigo possível por esquivar-se desta responsabilidade é o de ser governado por alguém pior, que justamente procura o status de ser político, o salário elevado e que agirá em segredo corrompendo instituições e privilegiando quem bem entender, ao invés de considerar o verdadeiro propósito de seu cargo: Trabalhar pelo interesse comum, servir a sociedade no máximo de sua capacidade e nunca agir em benefício próprio.
Em suma, essa é a importância do interesse na política. Temos que deixar a idiotisse de lado e exercer plenamente a nossa cidadania, pois os bons políticos não caem do céu nem os maus escalam do inferno (apesar de ser o aparente) para ocuparem cargos no governo. Eles vêm da nossa sociedade. Procurem conhecer um pouco melhor a política, saibam que votam em um partido e não simplesmente em uma pessoa e saibam diferenciar os partidos e as pessoas. Sejamos politicamente ativos no âmbito de querer o melhor para nossa sociedade, a favor da justiça, da ética e do bem comum. Somente assim removeremos a marca da corrupção que mancha nossa política.
Votem, e votem com consciência!
-Apius Gilbert Escobar

